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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Para mostrar que não estamos para brincadeiras

ABRIL DE 2019 | ANO 03 - EDIÇÃO 35
 

Na área Internacional, os resultados eleitorais no mês de abril em Israel, na Finlândia e Ucrânia apontam para o crescimento da direita, e o desligamento do governo brasileiro da Unasul enfraquece o projeto de uma política externa soberana. Leia mais

Na seção Estado, aponta-se que as inúmeras medidas de desmonte, além das reformas econômicas ultraliberais e das agendas ideológicas neoconservadoras, corroboram uma pauta silenciosa de transformação da indústria nacional de petróleo e gás. A questão veio ao debate público por ocasião das declarações e decisões em torno da política de preços dos combustíveis, em especial do diesel. Leia mais

As disputas entre o governo Bolsonaro e o Congresso, em particular com a tramitação da Reforma da Previdência, são tema de análise em Política e Opinião Pública. A insatisfação da opinião pública com os cem dias do governo e suas medidas, o aumento da percepção da desigualdade e do avanço do Brasil no ranking de intolerância e falta de liberdade de imprensa também são abordado nessa seção. Leia mais

A incapacidade de fazer a economia gerar empregos de qualidade para os trabalhadores que se evidencia com os últimos dados do mercado de trabalho é retratada na seção Social, que traz também estudos que desmontam os argumentos do governo para forçar a reforma da Previdência no momento em que o Ministério da Economia decide colocar sob sigilo as informações que embasam a proposta. Leia mais

Em Judiciário analisa-se a confirmação da farsa jurídica que condenou Lula pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Escondidos atrás de malabarismos jurídicos, os ministros mostraram que têm lado na maior perseguição a um líder político após a Constituição de 1988. Leia mais

Na seção de Segurança Pública, são relembrados os crimes de maio de 2006 que chocaram o país e o mundo com mais de quinhentas vítimas e têm relação direta com os erros atuais, quado a política pública caminha no sentido errático de mais encarceramento, de fortalecimento do crime organizado e violência de Estado. Leia mais

Em Economia, aponta-se que o novo “dream team” comandado por Paulo Guedes não apenas parece incapaz de reanimar a atividade econômica como provavelmente entregará resultados ainda piores do que aqueles colhidos pelo ex-dream team de Henrique Meirelles, a se considerarem os indicadores disponíveis até o momento. Leia mais

As alterações da política agrária e ambiental brasileira pelo governo Temer e os retrocessos dos cem dias iniciais do governo Bolsonaro são o tema da análise Territorial. Com as ações protagonizadas por eles, o período 2016-2018 teve a média anual de 53,3 assassinatos no campo, enquanto nos quatro primeiros meses do governo Bolsonaro já ocorreram dez assassinatos. Leia mais

Em Municípios, uma análise de três eventos realizados no mês de abril. O PT reuniu prefeitos e prefeitas em Brasília para organizar a ação e pensar as eleições de 2020. No final do mês, reuniu vereadores e vereadoras. Também em Brasília, a CNM realizou sua 22ª Marcha em Defesa dos Municípios, à qual Bolsonaro compareceu e fez uma série de promessas às prefeituras. Leia mais

A Comunicação analisa as controvérsias e a inabilidade do governo tal como vêm sendo retratadas na imprensa estrangeira e também a visão dos grandes grupos da imprensa comercial brasileira sobre a relação de Bolsonaro com os interesses de sua base eleitoral. Em redes sociais, foi observada a atuação do clã do presidente no Twitter em defesa da reforma da Previdência. Leia mais

   Crédito - FPA - Boletim de Análise da Conjuntura Mensal

terça-feira, 30 de abril de 2019

Kaosenlared infor


No era una moda ni se cumplió ese precepto del sistema que van a ir desfalleciendo por puro cansancio social. Para nada, como cada sábado (y ya van 23) volvieron a tomar las calles.
Leer el artículo "(Vídeos) Francia. Miles de chalecos amarillos vuelven a tomar las calles; casi 200 personas detenidas" en Kaos en la red. (https://kaosenlared.net/videos-francia-miles-de-chalecos-amarillos-vuelven-a-tomar-las-calles-casi-200-personas-detenidas/)

[Nº1 Mayo 2019] Periódico de la Federación Local de CNT-AIT Madrid


sexta-feira, 26 de abril de 2019

DEAD KENNEDYS "AMARELA" E CANCELA TURNÊ BRASILEIRA



Por Sharon Sevilha

Leia a nota publicada pelo Dead Kennedys na íntegra:

"Ok Pessoal; o promotor no Brasil realmente não soube como gerenciar as coisas da forma correta. Sem nos contatar sobre o assunto, ações estúpidas foram tomadas e que fizeram com que os pregadores de ódio se manifestassem por todos os lados. Mesmo assim, nós consideramos que o pôster ficou bem legal e ós concordamos com a idea; as consequências criaram uma situação bastante perigosa para nossos fãs que frequentam nossos shows. Nós nunca colocamos nosso público em risco, visto que isso não representa o que somos. Por esta razão, infelizmente estamos bastante tristes em informar que a banda não mais poderá tocar no Brasil este ano; sentimos que esta é realmente a única alternativa de manter as pessoas seguras. Nós faremos uma doação da porcentagem dos rendimentos que nos foram antecipados para uma instituição de caridade."

Primeiro, a banda nega ter conhecimento e ter autorizado o pôster. Agora, com esta nota sem vergonha, diz que vai doar o dinheiro pago adiantado para uma instituição de caridade. Qual instituição? Brasileira? Gringa?

O que aconteceu, Dead Kennedys? As vendas dos ingressos não estava indo bem? Ou vocês "amarelaram" na cara dura mesmo? Como eles não vão responder, você, leitor, decide, mas leve em conta duas coisas:
- recentemente, quando o Pearl Jam veio ao Brasil, o pôster deles também causou polêmica no Rio de Janeiro e nem por isso Eddie Verdder e sua turma cancelaram o show. E na visita anterior, em 2015, ainda doaram parte do cachê para as vítimas da tragédia em Mariana. Aliás, diga-se de passagem que Mariana nunca viu a cor desses dólares.


- em 1987, no auge da treta punks x carecas, os Ramones vieram ao Brasil pela primeira vez, ainda com Dee Dee e Richie na formação. O show foi no extinto e minúsculo Palace, em Moema, SP. Tinha tudo para dar errado: pouco antes da meia-noite, durante uma falha nos amplificadores, os carecas tentaram invadir o local com facas, estiletes, paus e pedras. Muita gente saiu ferida - uma, gravemente. 
- depois, em 1991, a banda voltou a se apresentar no ainda menor e também extinto Dama Xoc, em Pinheiros. Um rapaz foi esfaqueado durante o show e veio a falecer. Mesmo assim, os Ramones ainda voltaram ao Brasil . 
- em 1992, o "incidente" foi no (mais uma vez) extinto Canecão, no Rio de Janeiro: jogaram uma bomba de gás lacrimogênio, o que causou a interrupção do show e muito tumulto. 
- já em 1994, a treta foi em Balneário do Camboriú (SC). Mal os Ramones entraram, veio tudo abaixo, inclusive os vidros da casa, que foram destruídos com pedras. Quem não entrou, invadiu. E Joey passou mal e cancelaram o bis.
- a única turnê na qual deu tudo certo, foi a última: ADIOS AMIGOS, em 1996. Sabendo que esta seria a última vez que veríamos a banda, no final da apresentação, no lugar da confusão, o que presenciamos foi muito marmanjo chorando no (mais uma vez) extinto Olympia.

É assim que se faz punk rock, Dead Kennedys, não é com medinho, não.

DEU NO JORNAL - SEXTA 26 de Abril

DOS JORNAIS DE HOJE: A Folha de S. Paulo informa sobre mais um caso de assessores da família Bolsonaro que não trabalhavam de fato e que tem ligação com algum militar que coordena um “núcleo” de outros assessores. Agora, trata-se de uma assessora de Carlos Bolsonaro que foi exonerada após a eleição presidencial. Ela é mãe de um outro assessor do vereador carioca. Além disso, a esposa desse mesmo assessor também foi exonerada após as eleições. O jornal informa também que Rodrigo Maia pretende negociar a retirada da Funai do Ministério da Agricultura. A Fundação deve voltar para o Ministério da Justiça. A pasta chefiada por Sergio Moro pode perder o controle do Coaf. Quem afirma é Jair Bolsonaro. A declaração consta na reportagem publicada pelo Estadão.
O presidente protagonizou mais uma história que envergonha o país e a luta contra o preconceito. Jair Bolsonaro mandou tirar do ar um comercial do Banco do Brasil que buscava dialogar com a diversidade. Depois, em entrevista a jornalistas, ele afirmou que o Brasil não pode ser uma referência para o mundo gay porque aqui temos famílias. Mais espantosa e assustadora do que as falar de Jair Bolsonaro é a reação da imprensa que não vê nenhum escândalo nas atitudes homofóbicas de Bolsonaro.
O jornal O Globo informa que a dívida de estudantes com o Fies atingiu o seu maior nível, R$ 13 bilhões. Já o Valor Econômico publicou reportagem sobre a nova lei de licitações que pretende retirar a preferência para conteúdo local nas contratações de serviços.

PRIMEIRO DE MAIO UNIFICADO

O Dia Internacional do Trabalhador será histórico neste ano. Pela primeira vez, a CUT e demais centrais sindicais – Força Sindical, CTB, Intersindical, CSP-Conlutas, Nova Central, CGTB, CSB e UGT –, além das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, estarão juntas no ato unificado do 1º de maio, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, a partir das 10 horas. Leia mais

quinta-feira, 25 de abril de 2019

DEAD KENNEDYS E A ARTE "CENSURADA"


Por Sharon Sevilha

A história é simples: o ilustrador alagoano Cristiano Suarez fez o pôster acima para divulgar os shows da banda punk - e que se autointitula antifascista - pelo Brasil, mas houve uma polêmica enorme e o Dead Kennedys diz não ter conhecimento e nem ter aprovado o cartaz. Cristiano, por sua vez, para provar que a banda sabia, sim, contudo"amarelou", usou a arte em seu instagram para rebater as críticas e declarou que a arte não é uma crítica explícita ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. "O 'bozo' é uma alfinetada, mas eu queria mais criticar o estereótipo da classe média brasileira, que adotou a cultura do armamentismo, que louva armas e acha que é possível resolver tudo na base da bala, que acha que o exército deve cuidar da segurança pública"


A banda diz "que não pode presumir saber o bastante sobre as situações em outros países para divagar sobre suas políticas específicas. O pôster divulgado não reflete uma declaração política ou o posicionamento do Dead Kennedys. A mensagem básica da banda tem sido, e ainda é, pedir às pessoas que pensem por elas mesmas, não dizer a elas o que pensar.”

Se Roger Waters e Laura Jane Grace (Against Me!) foram capazes de se posicionarem, por que o Dead Kennedys não seria? Escolheram não encarar e viraram "meme." Parece que sem Jello Biafra, a banda se tornou um "punk nutella":



Por outro lado, bandas brasileiras "punk raiz" usaram o pôster renegado para fazer autopromoção. A arte é do pessoal do Projeto Torto. Eis algumas delas:




Punk is not dead, Dead Kennedys!





DEU NO JORNAL QUINTA 25 de abril

DOS JORNAIS DE HOJE: Os destaques das capas tratam de assuntos diversos. A Folha informa que o Brasil passa pela pior recuperação da renda per capta na história. O Globo trata da reforma da Previdência e aponta que ainda está em discussão se a reforma nos estados vai ser garantida pelo texto que tramita no Congresso. O Estadão informa que um projeto de lei pode mudar completamente o processo de emissão de licenças ambientais, o que faria com que muitos procedimentos e diversas licenças passassem a não ser mais necessárias. Já o Valor trata do mal estar na economia, do pessimismo que começa a afetar o mercado.
A Folha e outros jornais denunciam que um senador do DEM  contratou um sobrinho de Jair Bolsonaro para ser seu assessor. O familiar do presidente não tem qualquer experiência na área. O jornal paulista também informa que o senador Major Olímpio contratou como assessor um ex-soldado da PM que foi expulso da corporação após ser preso e condenado por torturar pessoas durante uma abordagem.
A Folha publica reportagem sobre a situação do ex-presidente Lula informando que mesmo se ele saísse da prisão, só poderia voltar a se candidatar aos 89 anos. A mesma reportagem diz que a depender de como o STF julgar o caso, a situação pode mudar. O objetivo do texto é difícil de compreender. Já o Valor Econômico traz opinião de Marco Aurelio Melo sobre o caso. O ministro do STF diz ter sérias dúvidas sobre a condenação de Lula.
O Estadão aborda a paranoia da família Bolsonaro com Hamilton Mourão e, segundo a publicação, durante conversas informais com parlamentares durante um voo, Bolsonaro teria dito que Mourão tenta ser um presidente paralelo. Nos jornais de maneira geral, começam a aparecer, aos poucos, opiniões de desânimo com relação ao cenário econômico do país.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

REVOLUÇÃO DOS CRAVOS



Por Sharon Sevilha  

Revolução dos Cravos  refere-se a um evento da história de Portugal, resultante do movimento político e social, ocorrido a 25 de abril de 1974, que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933, e que iniciou um processo que viria a terminar com a implantação de um regime democrático e com a entrada em vigor da nova Contistituição.

Esta ação foi liderada por um movimento militar, o Movimento das Forças Armadas  (MFA), que surgiu por volta de 1973, baseando-se inicialmente em seu prestígio e em reivindicações corporativistas como a luta pelo prestígio das força s

 A 15 de maio de 1974, o General Antonio Spinola foi nomeado Presidente da República e se seguiu um período de grande agitação social, política e militar conhecido como o PREC (Processo Revolucionário em Curso), marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações e confrontos militares que terminaram com o 25 de novembro de 1975.

Estabilizada a conjuntura política, prosseguiram os trabalhos da Assembleia Constituinte para a nova constituição democrática, que entrou em vigor no dia 25 de abril de 1976, o mesmo dia das primeiras eleições legislarivas  da nova República.

Você leu até aqui? Esquece! Wikipedia! O que vale mesmo e dá nome à Revolução foram os cravos vermelhos oferecidos por Celeste Caieiro, que trabalhava em um restaurante, e pela população (ao exemplo dela) distribuíram os cravos aos soldados - que, por sua vez, colocaram=nos nos canos das armas.

Grândola Vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó Cidade
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto a igualdade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó Cidade
Dentro de ti ó Cidade, oh, oh, oh
Juro em ter a companheira
A sombra de uma azinheira
Que já não sabia a idade
Compositores: josé afonso


DEU NO JORNAL QUARTA 24 de Abril

DOS JORNAIS DE HOJE: O grande destaque das capas é a aprovação da reforma da Previdência. Também está na capa de todos os jornais, com destaque, a decisão do STJ que reduziu a pena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O processo contra Lula volta ao centro do noticiário, mas, novamente, a imprensa tradicional não busca opiniões de juristas que acompanham o caso com certa distância. Os especialistas que são críticos do modus operandi da Lava Jato não têm espaço na imprensa para debater. A falta de pluralidade dos jornalões é um fato triste para a sociedade brasileira.
Essa mancha na imprensa brasileira está presente nos jornais diariamente. O governo diminui as verbas para ciência e tecnologia e essa informação apenas passa pelas páginas dos jornais. Não há um debate permanente sobre o tema. Hoje, não há qualquer notícia que aborde o assunto. Um dos temas centrais que envolve o governo são os ataques dos filhos de Jair Bolsonaro ao vice-presidente Hamilton Mourão. A imprensa gosta do jornalismo que debate picuinhas.
Sobre a reforma da Previdência, a Folha informa que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni ofereceu R$ 40 milhões em emendas para cada deputado que votar a favor da reforma. O Jornal O Globo publica notícia sobre a política de drogas do governo que vai investir um “caminhão de dinheiro” em comunidades terapêuticas que apostam no isolamento e na abstinência como tratamento. Já o Valor Econômico informa que Ciro Gomes e Marina Silva se recusam a fazer uma união com o PT para formar oposição ao governo.

terça-feira, 23 de abril de 2019

DEU NO JORNAL Terça 23 de Abril

DOS JORNAIS DE HOJE: A notícia que mais se repete nos jornais é sobre o acordo do governo com o centrão para que a reforma da Previdência avance na CCJ. Sobre o assunto, os jornais ainda informam que outro acordo, com Rodrigo Maia, prevê o fim do sigilo dos cálculos sobre a economia que seria alcançada com a aprovação da reforma. Aliás, a pauta dos jornais está bem parecida nas edições de hoje. Todos abordam o conflito gerado por Olavo de Carvalho e as críticas feitas ao escritor-astrólogo tanto por Mourão quanto por Bolsonaro que foi pressionado pelos militares. Além disso, os jornais informam que após longa reunião com o governo, os caminhoneiros desistiram da greve no dia 29 e que, pela primeira vez, a Petrobrás passou a divulgar os preços de distribuição dos combustíveis.
Também é notícia em todos os jornais que o processo contra Lula começará a ser julgado hoje pela 5ª Turma do STJ e que o dono do sítio de Atibaia solicitou à Justiça autorização para vender o imóvel. Os novos fatos relativos ao inquérito sobre fakenews contra o STF também foram amplamente noticiados.
Apesar de os conflitos políticos continuarem dentro do governo e também na relação entre Executivo e Legislativo, os jornais de hoje não colocam tanto peso nessas questões, nem tampouco na nova queda de previsão do PIB. Um sinal de que a pressão sobre o governo diminui um pouco.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

LEIAM ANTES QUE QUEIMEM - III

CRONICAS DE UM GAY ASSUMIDO


CRONICAS DE UM GAY ASSUMIDO
de Luiz Mott
Coleção: CONTRALUZ

Editora - RECORD





O livro - Neste livro de crônicas, parte da Coleção Contraluz, Luiz Mott, o "decano" do movimento gay do Brasil, reconstitui o abrangente painel da homossexualidade. Misturando experiências pessoais com o afinado olhar do antropólogo, do militante e fundador do Grupo Gay da Bahia, o autor desvela hipocrisias, preconceitos e dá uma lição de resistência à sociedade brasileira. Em Crônicas de um Gay Assumido, Mott desvenda mitos e verdades sobre o mundo gay, as tribos sexuais, faz confidências e promove discussões sobre homofobia e homoerotismo com a grife, o humor, a ousadia e a sinceridade de um pioneiro do movimento gay no Brasil.

O autor - Luiz Roberto de Barros Mott (São Paulo, 6 de maio de 1946) é antropólogo, historiador, sociólogo e pesquisador, e um dos mais notáveis ativistas brasileiros em favor dos direitos civis das pessoas de minoria sexual, ou seja, gays, lésbicas, bissexuais e pessoas transsexuais e transgêneras.

Luiz Mott nasceu em São Paulo, de tradicional família interiorana. Estudou em Seminário Dominicano de Juiz de Fora. Formou-se em Ciências Sociais na USP. Fez mestrado na Sorbonne, em Etnologia e é doutor em Antropologia, pela Unicamp.

Desde o final dos anos 80 radicado em Salvador, cidade que lhe concedeu o título de Cidadão Honorário, leciona na UFBA.

Assumiu suas preferências sexuais em 1977. Luiz Mott foi o fundador do Grupo Gay da Bahia, uma das principais instituições que laboram em prol dos direitos humanos dos gays no Brasil.

Além de muitos trabalhos publicados esparsamente (e traduzidos a outros idiomas), os livros de Luiz Mott são:

* Sexo Proibido;
* O Lesbianismo no Brasil;
* Gays, Virgens e Escravos nas garras da Inquisição;
* Rosa Egípcia: Uma santa africana no Brasil;
* Violação dos Direitos Humanos dos Homossexuais no Brasil;
* Os Pecados da Família na Bahia de todos os Santos;
* A Cena Gay em Salvador em tempos de Aids; Causa-Mortis: Homofobia;
* Escravidão, Homossexualidade e Demonologia.



Raul Galalite

DEU NO JORNAL - SEGUNDA 22 de Abril

DOS JORNAIS DE HOJE: A imprensa tradicional indica que há um desânimo do mercado com relação à melhora da economia brasileira. Essa redução nas expectativas se dá pela incapacidade do governo em implementar a sua agenda e também por decisões de Bolsonaro que são consideradas distantes do liberalismo. Por outro lado, em entrevista ao Globo, o ministro da Secretaria de Governo afirmou que o Planalto vai insistir na relação que mantém hoje com o Congresso. O discurso é de que a responsabilidade pela melhora do país não é só do Executivo e que, portanto, o Legislativo também deve ser responsabilizado pela não aprovação de medidas.
Enquanto as reformas continuam em suspenso, o Ministério do Meio Ambiente se mantém destruindo a fiscalização estatal. Agora, a lista de animais aquáticos em extinção pode desaparecer. A notícia é da Folha de S. Paulo. O jornal também informa que o sigilo imposto sobre os cálculos que baseiam a proposta de reforma da Previdência estão sendo alvo de questionamentos por analistas e políticos tanto da oposição como da base governista.
O jornal O Globo noticia o aumento do arsenal de atiradores esportivos. O Estadão informa que deputados da Assembleia paulista criaram uma CPI para investigar as universidades públicas do estado. Outra notícia é sobre o encerramento do grupo de trabalho que investiga a ossada de Perus. O grupo seria terminado pelo decreto de Bolsonaro que coloca fim a todos os conselhos ligados ao Planalto.

sábado, 20 de abril de 2019

“A liberdade não tem fronteira, começamos Rojava e vamos seguir até o final”



Conhecer-se. Falar. Cuidar-se. Essa é a base desde a qual se constrói a revolução.
“Que classe de mulher queres ser? Que vida queres levar?”, pergunta a comandante Arian a suas companheiras das YPJ (Unidades de Defesa das Mulheres). Muitas não sabem o que responder. Olham o chão, suas mãos, seus rostos refletem a imensidade da pergunta. Nunca se questionou que vida escolhem para si mesmas, que mulher querem ser ou em que entorno querem viver. “Se não nos conhecemos não podemos triunfar”, explica Rohash Shexo, representante na Europa da organização Kongreya Star, guarda-chuva que acolhe as organizações de mulheres do Curdistão e que pretende extender a revolução da emancipação da mulher a todo Oriente Médio. “A revolução se constrói sobre a experiência”, e a primeira coisa é nos conhecermos e nos organizarmos.
Ainda que Rohash tenta nos pôr na pele do povo curdo, é difícil alcançar a compreender a experiência destas mulheres revolucionárias e de um povo que sofreu 74 genocídios em sua história. Eriça os pelos da pele, as lágrimas brotam dos olhos, reações puramente físicas. Para interiorizar suas palavras é preciso de dias. Semanas. Meses. “Sinto falta de minhas companheiras, a luta, a guerra. Sinto falta de compartilhar sua dor e suas dificuldades, e compartilhar também a alegria da liberação. É algo incrível sofrer e depois desfrutar da liberdade”, descreve a comandante Arian. E outra vez a pele de galinha.
 ‘Comandante Arian’ é o filme documentário que se projetou na jornada ‘Rojava: Revolução de Mulheres’ que organizamos a CNT Comarcal Sul Madrid com Rojava Azadi, e que contou com a participação de Rohash Shexo, que narrou em primeira pessoa a história da mulher curda e seu povo. Ante um salão de atos lotado, Rohash expressou sentir-se “como em Rojava” e mostrou sua alegria ao constatar o interesse que desperta sua luta e o perto que nos sentimos deste povo e sua revolução. Uma revolução que começou em 1980 com a luta das mulheres para conquistar seus direitos e alcançar a dignidade para seu gênero. A tirania que sofria a mulher se explica em um exemplo estremecedor que narra o filme. Uma vizinha de Arian, de 12 ou 13 anos, foi violada e ficou grávida. Quando sua família a encontrou e descobriu seu estado, a assassinou. Arian teve claro desde pequena que queria ser guerrilheira. Que não queria essa vida para ela nem para suas irmãs mulheres. E com 30 anos liderou um batalhão de mulheres que lutou contra o Daesh e conseguiu expulsá-lo de Kobane, “o coração do Curdistão”.
 “Por que as revoluções árabes não triunfaram? Por que a revolução curda sim? Organização”. Uma ideia na qual insiste Rohash. Organização das mulheres e da sociedade. Paralelas e independentes, mas unidas e relacionadas. Quando as cidades árabes começaram a levantar-se a partir de 2011, “o povo não o planejou, por isso o resultado foi uma guerra civil”, explica Rohash. A população curda e suas mulheres estavam organizadas desde os anos 80, e sua revolução prosperou sobre a base da liberação da mulher.
 Quando a primavera árabe começou na Síria, os curdos do norte do país aproveitaram para liberar-se de décadas de opressão que haviam sofrido sob o regime Baazista e para desenvolver a chamada “terceira via”, conhecida como Confederalismo Democrático: um modelo baseado em promover direitos igualitários entre pessoas de diferentes etnias, religiões e gêneros. A organização funciona através da autogestão e aproximadamente 4 milhões de pessoas vive sob esta administração.
 A sociedade em Rojava se organiza de baixo para cima em comunas e assembleias, tal e como explicou Rohash. As comunas são a base da sociedade que gestiona o que lhes afeta diretamente e que por sua vez está encarregada de escolher os e as representantes que integram as assembleias, e assim sucessivamente nos diferentes níveis organizativos. Sempre de baixo para cima. Sempre mulheres e homens.
 Na evolução da revolução curda uma data importante é 2005, ano em que as mulheres criaram a organização guarda-chuvas Kongreya Star (a que pertence Rohash) para impulsionar a liberação da mulher mediante sua formação e defesa, apoiando-se no Movimento de Mulheres Curdas, com 30 anos de experiência. Seu trabalho se converteu nos cimentos da organização de mulheres e tornou possível a participação da mulher em todas as estruturas políticas e sociais de Rojava. O único requisito para pertencer a Kongreya Star é a necessidade de que a mulher esteja previamente envolvida na organização da sociedade. “Em qualquer sociedade, se a mulher não está organizada não tem um papel”, aponta Rohash.
 Para desenvolver e aprofundar a revolução, criaram os denominados Comitês, 10 no total, nos quais está integrada toda a sociedade e cada um versa sobre um tema específico: político, social, economia, autodefesa, acadêmico…Nas questões que afetam diretamente a mulher, são elas que tem sempre a última palavra.
 A participação da mulher na luta armada é vista também como um aspecto estratégico, porque “enquanto não participem em todas as áreas da luta e das instituições não poderão alcançar a igualdade de gênero”. As YPJ, integradas unicamente por mulheres, foram criadas em 2013 para defender a mulher da ameaça do Daesh, “que valoriza mais um pedaço de pano que a vida de uma mulher”, explica Rohash. “As forças armadas nunca quiseram entrar em batalha. Nos obrigaram para proteger nossos direitos e a identidade da mulher curda. Estamos obrigadas a lutar pela liberação da mulher”, insiste Rohash, ao tempo que recorda que as mulheres curdas “tentaram sempre levar a paz, demostrar ao mundo que somos um povo que queremos viver em paz”.
O trabalho destas mulheres é ademais duplo: contra o Daesh e contra o patriarcado. Por isso “cada casa em Rojava é uma academia”, sustenta, um passo necessário “para mudar a mentalidade do homem”.
Falar e escutar a Rohash surpreende pela segurança de suas palavras e a amplitude de seu pensamento. Os princípios ideológicos nos quais se assenta a revolução não reconhece estados nem fronteiras. “Muitas pessoas nos perguntam por que não queremos um estado do Curdistão. Nós dizemos que para ter um estado, uma pessoa que nos governe, não o queremos. Para isso não teríamos feito tantos sacrifícios”. As fronteiras, “símbolo do capitalismo”, tampouco as aceitam: “Quando vives livre não existe o sentido de fronteira”.
“Hoje digo sou mulher curda, mas antes de tudo sou mulher. E quando digo sou mulher eu sou a voz de todas as mulheres e todas as mulheres são minha voz. Assim  como com os seres humanos”, e a sala estoura em aplausos. Rohash termina: “A liberdade não tem fronteira, começamos Rojava e vamos seguir até o final”.
CNT Comarcal Sul Madrid
Tradução > Sol de Abril

Assange, a tiro de extradición


Por Santiago O’Donnell

Fue expulsado por razones estrictamente políticas, ya que el presidente ecuatoriano Lenín Moreno quiere acercarse a los Estados Unidos y Gran Bretaña y despegarse del legado de Rafael Correa.

Por Santiago O’Donnell

Finalmente pasó lo que ya parecía inevitable. Ayer a la mañana  Julian Assange, fundador del sitio WikiLeaks, fue expulsado de la embajada de Ecuador en Londres. El presidente Lenín Moreno se encargó del anuncio. Más allá de la justificación basada en supuestos incumplimientos de un protocolo imposible de cumplir (no solo Assange no podía opinar de nada sino que el medio que fundó, WikiLeaks, tampoco podía opinar de nada), fue expulsado  por razones estrictamente políticas, ya que Moreno quiere acercarse a Estados Unidos y Gran Bretaña y despegarse del legado antiimperialista de su antecesor Rafael Correa.
Si fuera por la Justicia británica, la detención de Assange en ese país no iba durar mucho. Está acusado de un delito excarcelable, violar las condiciones de su libertad condicional, basada en una orden de captura del gobierno sueco por una investigación de presuntos delitos sexuales que ya fue archivada y en la cual Assange nunca fue acusado. Si no interviene Estados Unidos, se presenta ante el juez, declara, paga la multa y queda libre.  Pero Estados Unidos intervino y minutos después de la detención la Cancillería británica emitió un comunicado anunciando que Estados Unidos había pedido la extradición del editor. De ser deportado, Assange enfrentaría cargos de traición y espionaje por la megafiltración de cables diplomáticos conocida como Cablegate en el 2010. Un Gran Jurado convocado en Alexandria, Virginia, acaso el distrito donde conviven más militares, espías y policías por metro cuadrado en todo el país, ha presentado  una acusación en contra de Assange, por supuesto complot con su fuente, Chelsea Manning, para extraer los cables y darlos a conocer. Manning fue condenada a 35 años por eso y perdonada por Obama después de siete. Gran parte del juicio a Manning  giró alrededor del tema de si WikiLeaks había sido un receptor pasivo de los cables o si se había confabulado de alguna manera para obtenerlos.
Si bien es cierto que es muy delgada la línea entre el periodismo de investigación y el terrorismo a través del robo de información secreta, así como es muy delgada la línea entre el espionaje y la diplomacia, sería una hipocresía mantener que los periodistas somos meros receptores pasivos de secretos que nos quieren contar. Explicarle a una fuente cómo hacernos llegar un material de forma segura y anónima no es lo mismo que urdir un plan criminal para hundir a un gobierno. Así, al menos lo entendió el fiscal general de Obama, Eric Holder, y por eso se negó a avanzar con la acusación en contra de Assange. Y por eso también le dijo al Washington Post que no podía juzgar a Assange sin entrar en conflicto con la primera enmienda dela constitución estadounidense, que garantiza la libertad de expresión. Con el gobierno de Trump las cosas arrancaron bien porque las publicaciones de WikiLeaks sobre Hillary Clinton en el 2016 le dieron una gran mano para ganar la elección.  El hoy pesidente llegó a tuitear “Amo a WikiLeaks”. Pero las cosas cambiaron rápidamente cuando el sitio de Assange publicó “Vault 7”, la mayor filtración de documentos de la CIA en la historia de la agencia. A partir de entonces el gobierno de Trump definió a WikiLeaks no como un medio de comunicación, sino como un “servicio de inteligencia hostil, no estatal” y la investigación de Alexandria cobró impulso con nuevas medidas y citaciones de testigos, incluyendo Manning, quien se negó a declarar y por eso volvió a prisión hace un mes.
Ahora le toca mover a Assange. Podría aceptar mansamente su traslado a Alexandria  para dar una batalla épica por la primera enmienda, pero en su caso sería apresurado. Antes bien, lo más probable es que elija dar esa batalla en Londres, en un juicio de extradición que obligue a Estados Unidos a presentar sus pruebas ante la opinión pública para que ésta decida si Assange es un periodista perseguido o un espía disfrazado. En la ausencia de la susodicha primera enmienda las leyes británicas son más hostiles hacia el libre ejercicio del periodismo comparada con la americana. Pero Assange apostará a que la justicia londinense sea más independiente que la del norte de Virginia. De mínima, el juicio de extradición podría durar años y mientras tanto podrían caer por la via parlamentaria o la electoral gobiernos que no son amigables con Assange como el May y el de Trump, sin los cuales una solución negociada sería mucho más fácil. Y de última, si perder el juicio de extradición, en Virginia tendrá revancha. Si el caso llega a Estados Unidos se daría un capítulo más en la pelea que Trump viene llevando con los medios de su país y las organizaciones de derechos humanos y libertad de expresión. A nadie le escapa que prácticamente todos los medios del mundo publicaron la información por la que Assange ha sido acusado y que varios de esos medios, incluyendo el The New York Times, The Guardian, El País y PáginaI12, fueron socios de WikiLeaks en distintos proyectos de publicación.
Más aún, dicho juicio  serviría para general un gran debate acerca de qué significa ser periodista en la era de internet, redes sociales, concentración mediática y megafiltraciones, cuáles son los límites al derecho a informar en sociedades democráticas y qué significa la noción de privacidad en la era de la hipertransparencia.
Trump parece estar dispuesto a dar ese debate. Es el tipo de pelea más le gusta. Y sabemos que Assange se viene preparando para este momento desde hace mucho tiempo.
Más allá del ajedrez geopolítico, en un día así uno no puede dejar de pensar que más allá del ícono está el ser humano. Un tipo tierno, vivaz, tímido a su manera, obstinado, mandón, ingenioso, amante del queso francés y del malbec argentino, que para poder publicar no tuvo miedo a enfrentarse al Pentágono ni a quemar puentes con China, Rusia y la Unión Europea hasta quedar completamente aislado, que pasó seis años y diez meses en un encierro atroz, vigilado, espiado, de a ratos aislado e incomunicado. Aprendí mucho de él. Una vez nos quedamos hablando catorce horas seguidas ¡catorce horas!  con él y su padre John Shipman en la sala de conferencias de la embajada. En otra ocasión me tiró una frase que nunca olvido. “Conseguir información es fácil,” me dijo. “Lo que es difícil es publicarla.”
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