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terça-feira, 13 de julho de 2021

DIA INTERNACIONAL DO ROCK: O QUE LER, O QUE VER E O QUE OUVIR

POR SHARON SEVILHA        

       Embora este texto esteja sendo escrito hoje, no Dia Internacional do Rock , provavelmente só será publicado amanhã, mas não faz mal, pois aqui, todo dia é dia rock.


O intuito do texto é dar algumas dicas supracitadas no título. Vamos lá?

O QUE LER?

Vou citar uma biografia não autorizada porque são as melhores, uma biografia que foi autorizada e recolhida e mais um livro que achei muito interessante.

A biografia não autorizada é a do Mick Jagger. Muito já se falou e se escreveu sobre as artes que o vocalista aprontou, mas o melhor livro é JAGGER - NÃO AUTORIZADO. É um livro antigo, de 1993, mas facilmente encontrado no site da ESTANTE VIRTUAL por um preço justo e entrega garantida. 

Este livro vai te falar sobre os amores e desamores de Jagger, vai te fazer questionar a morte de Brian Jones e vai, inclusive, em algumas partes, fazer você ficar puto(a) com o jeito que ele conduziu sua carreira até os Stones serem o que são.

A biografia recolhida é  A VIDA ATÉ PARECE UMA FESTA, dos Titãs. Muitas histórias de bastidores, como por exemplo, a que eles contam que para se apresentar no Programa do Chacrinha, eles eram obrigados a fazzerem shows nos lugares mais bizarros do Rio de Janeiro e mal dava tempo de se locomoverem de um local para o outro. Como, na época, eles eram em oito, a solução encontrada pela banda foi a de ir quatro para cada canto. E por que foi recolhida? Porque a família do Marcelo Frommer, atropelado e morto por um motoqueiro que fugiu, no dia 11 de junho de 2001, achou que o livro "manchava" sua história. Ora! Todo mundo sabe que não havia nenhum santo nos Titãs. Há inclusive, a passagem da prisão de Arnaldo Antunes portando heroína. Qual o problema? Só o clã Frommer sabe responder. Como o livro foi recolhido, não sei indicar onde comprar. Talvez na mesma Estante Virtual supracitada.

O terceiro livro é delicioso! ROCK IN RIO, de Luiz Felipe Carneiro. Conta toda a história dos primórdios do Rock in Rio, desde as negociações do Roberto Medina e a construção da Cidade do Rock até as bandas que disseram um sonoro não; as exigências esdrúxulas dos artistas, as frescuras abissais e até o medinho que Robert Plant alegou ter de pegar dengue e cancelar sua apresentação em cima da hora (Rock in Rio de 1991). Como canta um aí, é um livro "de rock e intriga que você lê quando tem dor de barriga". É divertidíssimo! 

O QUE VER?

Vamos falar de filmes/documentário e, ao final do artigo, três clipes de presente.

Documentários brasileiros:

- o recém lançado QUEM É CIRO PESSOA, do cineasta Wladimyr Cruz, conta a trajetória do cara que criou os Titãs através de entrevistas com o próprio Ciro, Branco Mello, Fernando Deluqui, a ex-companheira de Ciro, a Vânia, pessoas do Cabine C e por aí segue - imagens de shows e vídeos caseiros também fazem parte.  Como quem vai assistir gosta do Ciro - seja como criador dos Titãs, do Cabine C, do Flying Chair (sua última banda) entre outros, não é spoiler contar que ele vinha tratando um câncer e faleceu por causa da COVID no ano passado.



- também recém lançado no festival In-Edit Brasil  deste ano, o documentário VOCÊ NÃO SABE QUEM EU SOU. Aqui, você vai entender o ponto de vista dos integrantes da banda sobre a briga que os separou, seu retorno aos palcos só com Scandurra e Nasi como membros originais e toda a iniciação do vocalista na religião/cultura Iarobá. Você pode assistir aqui: https://br.in-edit.tv/film/268

DOCUMENTÁRIO GRINGO

- O outro documentário é ALL I CAN SAY, sobre a vida de Shannon Hoon, vocalista da banda Blind Melon - também conhecida como "a banda da abelhinha".

Shannon não largava sua câmera, ele se filmava e também todos ao seu redor, logo  toda a produção é vista do seu ponto de vista. Contem imagem e conversas com sua mãe, sua namorada, cenas de bastidores, de hotéis... E é muito triste. A morte de um rapaz tão novo, com 28 anos recém completados e tão talentoso é sempre triste. Assista aqui: https://www.amazon.com/All-Can-Say-Shannon-Hoon/dp/B08H5TP18M

FILMES

A lista é infinita, mas falaremos de três também.

- A MÚSICA DA MINHA VIDA (2019) conta a história de um garoto de origem indiana que mora na Inglaterra. Sua vida é bem limitada por sua cultura em um país europeu, mas tudo  muda completamente quando, na escola, um de seus colegas o apresenta à música de Bruce Springsteen. É um filme para rir, chorar, cantar e dançar. Corre o risco de sua vida mudar também.




- Este é mais antigo, porém não menos emocionante, THE BACKBEAT BAND - OS CINCO RAPAZES DE LIVERPOOL (1994) conta a história de como John Lennon, Stuart Sutcliff, Pete Best, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr se conheceram até o dia que estouraram como uma das maiores bandas do mundo.



- Usando o clichê por último, mas não menos importante, é BOHEMIAN RAPSODY (2018), que conta a história de Farrokh Bulsara,  nascido em Zanzibar (atual Tanzânia) ou, para os íntimos, Freddie Mercury. Não tem como contar a história de Mercury sem o Queen, mas o filme não aborda apenas a banda. A história é sobre ele, suas festas (nem tanto) nababescas, a formação da banda, seus amores, uma suposta namorada, seus conflitos com ele mesmo e a família e sua triste morte por complicações do HIV. Muitos fãs não gostaram, pois acharam que a ordem dos acontecimentos está errada, mas amigos, isto não é um documentário - É UM FILME! E é de tirar lágrimas de pedra. E você pode assistir aqui: https://www.primevideo.com/gp/video/detail/Bohemian-Rhapsody/0IZJZ4T7W4LWJQRT7L52ARIUP9/ref=atv_nb_lcl_pt_BR?language=pt_BR&ie=UTF8

O QUE OUVIR

Agora não tem como não ser tendenciosa e marcar os artistas que me influenciaram, que ajudaram a formar quem sou. Vou postar o nome do álbum, você clica e ouve.

1. KISS - THE ELDER


2. V - Legião Urbana


3. AUTOMATIC FOR THE PEOPLE - R.E.M.



Para encerrar, três clipes de três bandas que talvez - apenas talvez - não sejam tão conhecidas assim.

1. COMMON PEOPLE - PULP


2. HERE'S LOOKING AT YOU, KID - THE GASLIGHT ANTHEM


3. MUSIC WHEN THE LIGHTS GO OUT - THE LIBERTINES



Um "plus" para acabar: RADIO - RANCID


Quando a gente tem o rock, a gente tem um lugar para ir.

That's all, folks!    







segunda-feira, 22 de abril de 2019

LEIAM ANTES QUE QUEIMEM - III

CRONICAS DE UM GAY ASSUMIDO


CRONICAS DE UM GAY ASSUMIDO
de Luiz Mott
Coleção: CONTRALUZ

Editora - RECORD





O livro - Neste livro de crônicas, parte da Coleção Contraluz, Luiz Mott, o "decano" do movimento gay do Brasil, reconstitui o abrangente painel da homossexualidade. Misturando experiências pessoais com o afinado olhar do antropólogo, do militante e fundador do Grupo Gay da Bahia, o autor desvela hipocrisias, preconceitos e dá uma lição de resistência à sociedade brasileira. Em Crônicas de um Gay Assumido, Mott desvenda mitos e verdades sobre o mundo gay, as tribos sexuais, faz confidências e promove discussões sobre homofobia e homoerotismo com a grife, o humor, a ousadia e a sinceridade de um pioneiro do movimento gay no Brasil.

O autor - Luiz Roberto de Barros Mott (São Paulo, 6 de maio de 1946) é antropólogo, historiador, sociólogo e pesquisador, e um dos mais notáveis ativistas brasileiros em favor dos direitos civis das pessoas de minoria sexual, ou seja, gays, lésbicas, bissexuais e pessoas transsexuais e transgêneras.

Luiz Mott nasceu em São Paulo, de tradicional família interiorana. Estudou em Seminário Dominicano de Juiz de Fora. Formou-se em Ciências Sociais na USP. Fez mestrado na Sorbonne, em Etnologia e é doutor em Antropologia, pela Unicamp.

Desde o final dos anos 80 radicado em Salvador, cidade que lhe concedeu o título de Cidadão Honorário, leciona na UFBA.

Assumiu suas preferências sexuais em 1977. Luiz Mott foi o fundador do Grupo Gay da Bahia, uma das principais instituições que laboram em prol dos direitos humanos dos gays no Brasil.

Além de muitos trabalhos publicados esparsamente (e traduzidos a outros idiomas), os livros de Luiz Mott são:

* Sexo Proibido;
* O Lesbianismo no Brasil;
* Gays, Virgens e Escravos nas garras da Inquisição;
* Rosa Egípcia: Uma santa africana no Brasil;
* Violação dos Direitos Humanos dos Homossexuais no Brasil;
* Os Pecados da Família na Bahia de todos os Santos;
* A Cena Gay em Salvador em tempos de Aids; Causa-Mortis: Homofobia;
* Escravidão, Homossexualidade e Demonologia.



Raul Galalite

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Aproveitando a data - JESUS CRISTO, MARIA E MADALENA


“Como Cristo foi compreendido pelos cristãos originais, que eram todos judeus? A palavra-chave é encontrada em Paulo, que escreveu aos Gálatas dizendo que Cristo redimira o homem da maldição da Lei. As Escrituras podem ser entendidas como um sistema de leis através das quais as experiências da vida de uma pessoa são filtradas. Deve-se redimir disso através da doutrina do amor. Das palavras de Cristo, aprendemos que devemos amar ao próximo. (...)”
Joseph Campbell in
Tu és Isso
JESUS CRISTO, MARIA E MADALENA.

Mais que uma única história

Introdução
Em todo momento polêmico surgem histórias exemplares. Talvez nos venham a sobrar indignações por tratar de tal tema, mas o certo é que sem querer discutir o Jesus histórico, ou ainda tentar validar esta ou aquela teoria sobre mistérios que são na verdade dogmas de fé, e por assim o serem não cabem como objeto de discussão, perpetramos esse texto com a intenção de mostrar que existe mais de uma maneira de se contar uma história. Mesmo sendo esta considerada a maior história de todos os tempos. Uma história que é a da tradição judaica e da construção da civilização cristã, civilização essa que já nos deu, por exemplo, as Cruzadas e a Santa Inquisição.
Uma civilização que a princípio se edifica sob a influência da igreja católica, igreja essa que também já surge polêmica. Não fosse assim nas longas peregrinações São Paulo Apóstolo não teria encontrado (25 anos depois) em uma de suas viagens alguns seguidores de João Batista, um moralista severo e inflexível sobre quem Jesus certa vez declarou – “Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher ninguém apareceu maior que João Batista”.
Muito embora, no rigor da palavra não fosse cristão, o impacto de suas palavras e ritos foram de fundamental importância na construção da tradição. O batismo, a oração em comum e o jejum, são claramente herdadas da ritualística criada por João. Porém mais que isso, o martírio como redenção e que viria ser emblemático na unção dos santos também é sua marca indelével. Sua resistência na prisão de Herodes e seu sacrifício são os primeiros exemplos escritos com violência que a igreja cristã iria utilizar. Por isso, toda e qualquer representação sangrenta, mesmo que seja na tela grande ou no afresco medieval não poderiam causar nenhum estupor. Ao correr desse texto daremos aqui e ali algumas pistas de como essa história pode ser contada e recontada sem perder o toque de mistério de “plot” onde “tudo pode ser verdade”.
RELENDO O EVANGELHO
Ao longo dos anos, muitas críticas têm sido levantadas quanto à confiabilidade histórica da Bíblia. Elas são usualmente, baseados na falta de evidências de fontes externas, confirmando o registro bíblico. E sendo a Bíblia um livro religioso, muitos eruditos tomam a posição de que ela é parcial e não é confiável a menos que haja evidência externa confirmando-a.
Surge aí a busca desse Jesus histórico e um sem número de texto apócrifos.
Os Apócrifos, porque esses textos foram proscritos da Bíblia? Na verdade Os Apócrifos são uma reunião de textos considerados heréticos pela Igreja, e que foram banidos e, muitas vezes, queimados. Alguns só se salvaram graças às traduções que deles existiam. Foram muitas as publicações e compilações. Podemos citar, por exemplo, o Livro dos segredos de Enoch, Livro de Isaías, Proto-Evangelho de Tiago, Evangelho Pseudo-Tomé, Evangelho Árabe da Infância, Livro da Infância do Salvador, Evangelho de Nicodemus, de Bartolomeu, de Pedro e Evangelho segundo Tomé, o Dídimo. Até a pouco tempo os historiadores trabalhavam com poucas referências sobre a mãe de Jesus, o que mudou com a descoberta de um raríssimo manuscrito, escrito por volta do ano 400, que contém um relato quase completo de uma viagem feita por uma monja espanhola, Egeria, à
Terra Santa, e o Evangelho Apócrifo da Virgem Maria que Egeria diz ter recebido de um monge grego companheiro de São Jerônimo. Reunidos nesse livro, os documentos revelam uma espécie de diário de Maria, que inicia falando sobre sua vida a partir dos 15 anos de idade, pouco antes de conceber Jesus, o primeiro encontro com o anjo Gabriel, os acontecimentos que precederam seu nascimento, sua saída estratégica da cidade, as visitas do anjo Gabriel aos pais de Maria, Joaquim e Ana, e a José, seu noivo. Mas, isso veremos mais à frente.

Apócrifos – Os proscritos da Bíblia, por exemplo, foram compilados por Maria Helena de Oliveira Tricca e Júlia Bárány para a Editora Mercuryo. Maria Helena nasceu em São Paulo, em julho de 1940 , faleceu em julho de 1997. De formação humanística, era pesquisadora nas áreas de mitologia, religiões antigas e filosofia. Como autora e compiladora dos livros Apócrifos – Os proscritos da Bíblia, assumiu a missão de expor ao público brasileiro esses textos polêmicos e ao mesmo tempo enriquecedores, que ampliam o conhecimento sobre a tradição judaico-cristã. Considerados profanos por serem não-canônicos, hoje são objeto de estudo por teólogos e estudiosos de Religião, uma referência obrigatória para quem necessita entender melhor a História de Cristo, o Cristianismo, o Judaísmo, o nascimento do Catolicismo e os lapsos de tempo nos textos bíblicos. Já Júlia Barani é Pesquisadora de Religião, filha de pai húngaro e mãe russa. Nasceu em São Paulo, em 24 de novembro de 1949. Viveu durante muitos anos nos Estados Unidos, estudando Filosofia e Letras na Cleveland State University, de Ohio. Lecionou inglês na Escola Rudolf Steiner e na Escola Graduada de São Paulo. Esteve vinculada a USP, PUC/RJ e FAAP nos cursos de Letras, Filosofia, graduando-se em Artes Plásticas. É responsável pela tradução de algumas obras como A Odisséia dos Essênios, de Hugh Schonfield, O Manuscritos do Mar Morto, do estudioso Geza Vermes e Apócrifos – Os proscritos da Bíblia, com textos traduzidos do aramaico e do grego. Mostramos assim que as pessoas imbuídas de divulgar essas pesquisas históricas estão longe de serem fanáticos revisionistas religiosos.
O mesmo se dá com o livro, Um judeu Marginal – Repensando o Jesus Histórico, de John P. Méier. Com critérios científicos, o livro encara realísticamente, a pessoa de Jesus, desmistificando conceitos tradicionais e errôneos sobre ele. Por meio de critérios cuidadosos, o autor chega o mais próximo possível do Jesus que os documentos históricos e bíblicos revelam, face à situação social, cultural e religiosa de sua época.
Por certo que existiram muitos textos cristãos e judaicos na época em que a Bíblia foi composta como a conhecemos hoje. Todos os seus textos chamados canônicos – os livros do Velho Testamento e os quatro Evangelhos do Novo Testamento, os sinópticos, foram escolhidos pela Igreja em seus primórdios para manter a coesão doutrinária e afastar as heresias. Os escritos banidos e, na sua grande maioria, queimados, preservaram-se em traduções gregas, eslavas e árabes, e alguns originais em hebraico e aramaico, existem há mais de 2.000 anos e tem sido fonte indispensável para grandes obras literárias ou cinematográficas, por trazerem informações polêmicas com relação aos textos oficiais, mostrando facetas inéditas das idéias cristãs e judaicas e até divergências diretas com a doutrina vigente. Fazem parte destes textos não-canônicos os famosos manuscritos do Mar Morto dos essênios, seita judaica conservadora, precursora do cristianismo. Há dois evangelhos sobre o nascimento e a infância do rabi, e uma bela história de amor e integridade com personagens do Velho Testamento, José e Asenath.
Embora não seja possível verificar cada evento descrito na Bíblia, as descobertas arqueológicas feitas desde a metade do século XVIII têm demonstrado a confiabilidade e plausibilidade de muitas narrativas bíblicas. Segundo Bryant Wood da Associates for Biblical Research “A descoberta do arquivo de Ebla no norte da Síria nos anos 70 tem mostrado que os escritos bíblicos concernentes aos Patriarcas são de todo viáveis. Documentos escritos em tabletes de argila de cerca de 2300 a.C. mostram que os nomes pessoais e de lugares mencionados nos registros históricos sobre os Patriarcas são genuínos. O nome "Canaã" estava em uso em Ebla - um nome que críticos já afirmaram não ser utilizado naquela época e, portanto, incorretamente empregado nos primeiros capítulos da Bíblia. A palavra "tehom" ("o abismo") usada em Gênesis 1:2 era considerada como uma palavra recente, demonstrando que a história da criação foram escrita bem mais tarde do que o afirmado tradicionalmente. "Tehom", entretanto, era parte do vocabulário usado em Ebla, cerca de 800 anos antes de Moisés. Costumes antigos, refletidos nas histórias dos Patriarcas, também foram descritos em tabletes de argila encontrados em Nuzi e Mari.”
Outra questão interessante são as divergências das datas dos Evangelhos e nisso, por exemplo, alteram o caráter de eventos como o da última ceia.. Em Marcos, assim como em Mateus e Lucas, essa refeição ou banquete modesto teria sido realizado em determinada noite no interior da cidade de Jerusalém, isto é, por dentro dos muros. Já se levarmos em conta os relatos de João, Jesus e os discípulos ceiam frugalmente no aguardo da festa do Pessach. O plano seria de prender Jesus e executa-lo durante a festa causando maior efeito moral entre o povo. Esse é um dos muitos textos em discussão.
Outro aspecto desse resgate da verdade vem da tentativa de identificar se o julgamento de Jesus foi “justo” ou, melhor dizendo, dentro das regras vigentes do direito romano. Não foram poucos os estudiosos da história do direito e das leis que mergulharam nesse tema. Para um cristão é justificável sua revolta com o processo que culminou na condenação e crucificação. Mas o que de fato ocorreu? Podemos resumir que se cometeu um deícidio? À luz das novas leis e da ética seu julgamento foi realizado em condições não humanitárias em flagrante violação dos direitos humanos. Mas e à luz das regras vigentes na época? A maioria dos pesquisadores consideram que Pôncio Pilatos conduziu o processo com correção e, mais que isso, se Jesus Cristo tivesse respondido “não” quando argüido se era ele o Rei dos Judeus, teria com certeza sido libertado.
MARIA, A MÃE DE DEUS?
Maria é realmente a Mãe de Deus? Se ela não o fosse, Jesus não seria Deus, mas sim um invólucro humano para Deus? Essa é uma discussão que embala muitos teólogos. Discutem que “Nossa Senhora foi preparada por Deus antes mesmo de sua concepção, exatamente para que o Verbo se fizesse Carne (não "assumisse uma" carne) em seu seio. Ela foi preservada da mancha do Pecado Original, ou seja, não sentiu sequer o desejo de pecar, e foi assim a nova Eva.” Em resumo - com Eva o pecado chegou ao mundo; e foi com Maria que a Salvação veio.
É importante notar que a Bíblia nunca menciona Maria como a Mãe de Deus, mas sempre como “Mãe de Jesus” (Meter ton Iesous). E nessa confusão alguns afirmam que “esse entendimento católico se dá devido à interpretação incorreta do título Theotókos (mãe de Deus) dado a Maria. No Evangelho de João 2.1-2, diz: mãe de Jesus, que na língua grega como já vimos é Meter ton Iesous. O título Mãe de Deus do grego Theotókos, foi dado a Maria no Concílio de Éfeso, em 431 a.C. Por essas questões a figura de Maria, Mãe de deus só se sustenta dentro da Igreja Católica.”

O Evangelho Secreto da Virgem Maria, de Santiago Martin (Editora Mercuryo) é um livro escrito por esse sacerdote católico, que nasceu em Madri em 1954. Licenciado em Biologia, Teologia e Jornalismo, é chefe da Seção de Religião do Jornal ABC e diretor do programa Testimonio da TVE (TV Espanhola). Autor de uma dezena de livros de espiritualidade, é também fundador de uma associação católica, os Franciscanos de Maria, dedicada ao trabalho voluntário e gratuito com todo tipo de marginalizados e que já está presente em seis países.
Mas o que descobrimos é que esse livro não é na verdade autoral e sim um manuscrito, até agora desconhecido, que revela aspectos inéditos da vida de Cristo e reúne as experiências mais íntimas de sua mãe, Maria. Os historiadores trabalhavam com poucas referências sobre a mãe de Jesus, e a história só começa a mudar com a publicação de textos escritos por volta do ano 400, que narram uma espécie de diário de Maria.
Um especialista em manuscritos antigos, J. F. Gamurrini surpreendeu o mundo em 1884, ao descobrir uma valiosíssima peça de arqueologia, na Abadia de Arezzo. Tratava-se de um manuscrito que continha um relato quase completo de uma viagem feita por uma monja espanhola, Egeria, à Terra Santa, intitulado Itinerarium. Numa biblioteca de Obona preservou-se outra cópia deste manuscrito, mais completa que a primeira, que acabou sendo redescoberta recentemente por dom Ignácio, sacerdote da arquidiocese de Oviedo, amigo do autor do presente livro. Ao mandar traduzir o texto original do latim, ficaram surpreendidos com o texto acrescentado ao relato de viagem pela monja espanhola: Evangelho Apócrifo da Virgem Maria, constante nessa cópia e ausente na primeira, talvez por motivo de censura religiosa. Egeria diz ter recebido o texto de um monge grego, companheiro de São Jerônimo – que vivia em Belém, na época em que a monja residia na cidade natal de Jesus, entre os anos de 387 e 420. No livro O Evangelho Secreto da Virgem Maria, a mãe do Messias inicia falando sobre sua vida a partir dos 15 anos de idade, pouco antes de conceber Jesus, o primeiro encontro com o anjo Gabriel, relatando detalhadamente os acontecimentos que precederam seu nascimento, sua saída estratégica da cidade, as visitas do anjo Gabriel aos pais de Maria, Joaquim e Ana, e José, seu noivo. O livro traz suas memórias, narradas a João Evangelista em muitas daquelas tardes em que ambos descansavam de suas respectivas tarefas, nas cercanias da cidade grega de Éfeso, quando uma velha mãe fala de si mesma, de seu filho, e da aventura que Deus, em um dia de primavera, havia posto em andamento.
Não podemos deixar de nos surpreender quando lemos trechos desse evangelho. Trechos como este: “ ...Sentia fortemente que, naquela noite, o Senhor esperava algo de mim. Disse-lhe que, por mim, as coisas se fariam de acordo com a Sua vontade e não segundo meus cálculos ou previsões. Portanto, se Ele, Yaveh, resolvera que as coisas iriam se desenvolver a seu modo, eu aceitava e, como em ocasiões anteriores, ofereci-me para ajudar no que fosse possível, sabedora, de antemão, que tudo o que eu fizesse seria pouco, jovem como era e a ponto de casar-me brevemente. Foi quando tudo ocorreu. Não havia pronunciado meu último sim, quando meu pequeno quarto se encheu de luz. Estava ajoelhada, com minha roupa modesta presa acima dos joelhos para não gastá-la, quando ele apareceu. “
Ou ainda - “Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Irás conceber em teu ventre e darás à luz um filho, a quem darás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado ‘Filho do Altíssimo’. O Senhor lhe dará o trono de Davi, seu pai. Reinará sobre a casa de Jacó pelos séculos e seu reino não terá fim”
E finalmente – “ ...pede ao Senhor que lhe conceda a graça de aliviar a dor do filho, sentindo tudo o que ele sente, o que lhe é concedido. A morte: Vi quando começaram a levantá-lo…Eu sabia que nada de extraordinário iria ocorrer, porque o extraordinário já estava ocorrendo: Deus assassinado pelas criaturas de Deus, com a permissão de Deus, para salvar as criaturas assassinas. Era esse o milagre…Seu olhar me localizou em seguida, e ambos nos apoiamos mutuamente…E ele, com uma súplica muda, com suas mãos cravadas, buscava em um abraço impossível o socorro que somente uma mãe pode dar… “Mulher, eis aí teu filho”, “Eis aí a tua mãe”. Viera para fazer-vos seus irmãos. Havia conseguido que chamásseis de “Pai” a seu Pai. Mas para que a irmandade fosse completa, era necessário que compartilhásseis também a mãe…Meu filho acabava de morrer e eu sem dúvida estava triste, mas não conseguia sentir desespero, não podia. Foi assim como o tive novamente em meus braços. Estava morto. Seu coração já não batia mais. Já não brilhavam seus olhos, que continuavam terrivelmente abertos. A espantosa coroa havia caído e se viam as feridas abertas em sua cabeça…”
Como estamos podendo ver, além de humanizar a morte de Jesus, a visão de Maria é de uma mãe. Dentro dessa nossa tentativa de ver a história em seus vários ângulos precisamos lembrar que as mulheres passam a ser presença importante nos vários episódios na vida de Jesus. Elas são as primeiras que se convertem às suas mensagens e passam a desempenhar papel ativo em toda essa construção de fé. Esse movimento judaico-cristão conta com a efetiva participação das mulheres, intervindo na vida pública.
MADALENA, A APÓSTALA?
Quem foi Maria, da localidade de Magdala, que a história bíblica registra apenas como Maria Ma(g)dalena? Uma das santas mulheres que se mantiveram ao pé da cruz durante a crucificação, a pecadora que os próprios discípulos de Jesus hostilizavam, uma mulher determinada e inteligente, acima e além de seu tempo, disposta a ousar tudo para salvar o homem que ama - ou uma personalidade multifacetada englobando todos esses aspectos? Que papel teve na vida de Jesus para que fosse a primeira pessoa com quem ele se encontrou ao sair do túmulo? Essas são algumas das perguntas contidas no romance histórico O Enigma Maria Magdalena de Gerald Messadié (Bertrand Brasil).
Maria Madalena é outro dos personagens controversos nessa nossa história e é, com certeza, uma das personagens mais enigmáticas do Novo Testamento. Podemos verificar que se por um lado existem poucas citações diretas sobre ela nos quatro evangelhos, por outro lado está nominalmente presente nas passagens mais marcantes da vida do Cristo, como a Paixão e a Ressurreição. Ela é a discípula que ama o mestre acima de tudo e é testemunha da Sua Ressurreição, sendo a portadora da Boa Nova. Por esse motivo ela pode ser considerada a primeira apóstola.
Por tudo isso ela é ao lado da Virgem Maria uma das mais importantes figuras femininas dos evangelhos, mas que acabou tendo corrompida a sua real importância dentro da tradição cristã católica romana. Sua imagem foi sendo, através dos séculos, corrompida como o de uma mulher pecadora, provavelmente uma prostituta, que foi purificada pelo Cristo. Mas é dela que como prova de seu amor espiritual, lavou os pés do Senhor e os enxugou com os próprios cabelos. Ela representava o arquétipo feminino tradicional, da transmissora do pecado original, que após ser curada, passou sua vida em penitência e arrependimento. Mas outros registros nos mostram uma mulher de rara cultura, independente, dona do ofício de criar pombos. Imagem esta que dentro de uma tradição judaico-cristã era incompatível com a subserviência.
Por outro lado Jesus, que em mais de uma ocasião quebrou regras da tradição judaica, como quando expulsou os vendilhões do templo, incorreu em mais uma que foi o de dar um papel importante às mulheres. Jesus conversava diretamente com elas, expondo preceitos religiosos, tal como fez com Maria de Bethânia, irmã de Marta e com a Samaritana. Alguns pesquisadores sequer conseguiram disfarçar esses preconceitos e escreviam que ele “se deixava tocar por mulheres consideradas impuras pelos judeus tradicionais”
Paulo em suas epístolas cita algumas mulheres que tinham tarefas de evangelização dentro da comunidade, tais como Febe, diaconisa da Igreja da Cencréia, Maria, "que muito fez pela comunidade romana"; e Júnia chamada de "apóstola" (Romanos, cap16 v 1-8). Maria Madalena não é citada, dentro dos evangelhos canônicos como um dos apóstolos, mas podemos dizer, por dedução, que era uma discípula escolhida e portadora de verdades fundamentais para a construção do cristianismo.
A título de informação complementar, o segundo nome de Maria Madalena, (Madalena ou Magdalini) em grego, significa que ela era natural de Magdala, ou Mejdel. “Escavações efetuadas na cidade e escritos de Flavius Josefus e outros, a descrevem como uma rica cidade comercial, baseada na pesca, e com muito contato com o mundo helênico, localizada no lado noroeste do lago da Galiléia “
Maria é sempre citada nas escrituras com o segundo nome anexado para diferencia-la das demais Marias - Maria mãe de Jesus; Maria, mãe de Tiago e Maria de Bethânia, irmã de Lázaro.
NO CELULÓIDE
A lembrança de muitos de nós de mais de quarenta anos é o sentimento de opressão quando se avizinhava a Semana Santa. Em parte porque os mais velhos ficavam mais sisudos. Sabíamos que era chegado os tempos de músicas tristes e que no cinema do bairro o programa duplo seria substituído por um único filme em sessão contínua. Teríamos “A Paixão de Cristo”. Não importa qual o título original do filme, nem a qualidade da cópia, o cartaz era sempre o mesmo, de preferência montado em um já desbotado e empoeirado pano roxo. Os primeiros filmes sobre Jesus, curiosamente nunca mostravam o rosto do ator que representava o principal personagem. Ele era sempre visto de costas, afinal “quem seria digno de vivenciar personagem tão divino?”
Com o tempo isso foi mudando, e em “Rei dos Reis” já tínhamos um Jesus belo e em technicolor. E mais que isso um Jesus como personagem pop. O filme viraria um disputado álbum de figurinhas. Está certo que tivemos ainda “O Manto Sagrado” e um sem número de “jesuses” canastrões e centuriões ”falastrões”. Tivemos até Toni Curtis, mas isso é outra história. Aos poucos além da “Paixão de Cristo” , fomos ousando um pouco mais da conta e tome “Marcelino, Pão e Vinho” e a cena assustadora do Cristo na cruz que falava com o pequeno herói. Eram tempos de Pelmex, Joselitos e Marissóis.
Por certo foi Franco Zefirelli que pode aliviar nossa angústia e colocar na programação “Irmão Sol, Irmã Lua”. Pasmem, o filme tinha até cena de nudez. Não satisfeito nos deu o belo britânico Robert Powell como Jesus em um épico em que Maria sentia as dores do parto.
Jesus of Nazareth (1977) é um belo filme, mais precisamente uma mini-série, que depois foi redimensionado para a telona. Com Robert Powell, Olivia Hussey, Stacy Keach, e com direção de Franco Zefirelli foi feito originalmente para a TV em 1977, esta versão de Jesus, com mais de 6 horas de duração, é tão abrangente que dedica a primeira hora somente à história de seu nascimento. É a mais completa obra sobre Jesus, e relata o nascimento de João Batista, o casamento de Maria e José, o nascimento e batismo de Jesus, seus muitos milagres (apesar de não mostrá-Lo andando sobre as águas e a transformação da água em vinho no casamento em Canaã).
Entre os inúmeros filmes já realizados anteriormente sobre Cristo alguns geraram muita polêmica, como O Evangelho Segundo São Mateus, de Pier Paolo Pasollini (que apresentava um Jesus revoltado e envolvido com os problemas políticos de seu tempo) e A Última Tentação de Cristo, que fez com que milhares de católicos se sentissem ultrajados com o Jesus humano apresentado por Martin Scorsese, e pelo autor do livro que deu origem ao roteiro, Nikos Kazantzakis.
Nikos Kazantzakis nasceu em Heraklion, Creta (Grécia). Estudou direito em Athenas e em Paris, e depois estudou filosofia e literatura. Interessou-se ainda por línguas e foi um estudioso da obra de Nitsche. Publicou filosofia - "Ascetics" (Salvatores Dei, 1927), e poesia - "The Odyssey" (1938) "Tertsines", "Protomastoras", "Melissa" , "Julian", "Prometheus" etc. Seus romances são "Alexis Zorbas" (1946) "O Xristos xanastavronetai" (O Cristo Recrucificado) (1948) "O ftoxoulis tou Theou" (O pobre homem de Deus) (1952-3) "Anafora ston Greco (Referente ao Greco) (1961) . Morreu em 1957 sem ver sua polêmica nas telas.
Tivemos ainda outra polemica de peso, em especial no Brasil. Foi o Filme de Godard – Je Vous Salue Marie. Realizado em 1985 por Jean-Luc Godard com um elenco competente (Myriem Roussel (Mary), Thierry Rode (Joseph), Philippe Lacoste (Gabriel), Juliette Binoche (Juliette), Anne Gautier (Eva)) contava a história de Marie ou Mary uma estudante que jogava basquete e trabalhava com seu pai em um posto de gasolina. Certo dia descobre que está grávida mesmo nunca tendo se deitado com um homem. Seu namorado é Joseph, um motorista de táxi que não acredita que ela possa estar grávida e ainda ser virgem. Essa trama com tantas referências bíblicas deu a Jean-Luc Godard o brilho da genialidade e da instantânea fúria de um sem número de crentes e cristãos. A igreja católica repudiou veementemente o filme e no Brasil, respaldada pela censura proibiu o filme que era exibido em um misto de ato pela desobediência civil e circo burlesco. Na verdade o filme que nada tinha de sensual e era arrastado no seu contar a história poderia ter passado em brancas nuvens não fosse a sanha sempre insensata do fanatismo religioso. Um blasfemo que sequer cult virou.
Mas nem sempre os polêmicos aceitam as ousadias de outrem e é assim com o roteirista de Hollywood responsável pelo texto do último filme polêmico sobre Jesus antes de A Paixão de Cristo, Paul Schrader, diz que o novo longa-metragem de Mel Gibson sobre a crucificação é violento e perturbador. "É um filme bem feito, mas muito violento e repleto de um senso profundo de auto-flagelação", disse Paul Schrader, que assinou o roteiro de A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese lançado em 1988, e que foi criticado por organizações cristãs devido a uma cena breve em que Jesus é visto tendo relações sexuais com Maria Madalena.
"São dois filmes totalmente diferentes", disse ele, depois de dar uma palestra em Londres sobre sua elogiada carreira. "Meu filme foi essencialmente uma história humanista sobre a luta para encontrar Deus, na qual Cristo é usado como metáfora", disse Schrader, que nasceu numa família rigidamente calvinista e estudou teologia. No roteiro, Jesus (Willem Dafoe) é um carpinteiro que vive um grande dilema, pois é quem faz as cruzes com as quais os romanos crucificam seus oponentes. Resumindo, Jesus se sente como um judeu que mata judeus. Vivendo um terrível conflito interior ele decide ir para o deserto, mas antes pede perdão a Maria Madalena (Barbara Hershey), que se irrita com Jesus, pois não se comporta como uma prostituta e sim como uma mulher que quer sentir um homem ao seu lado. Ao retornar, Jesus volta convencido de que é o filho de Deus e logo salva Maria Madalena de ser apedrejada e morta. Então reúne 12 discípulos à sua volta e prega o amor, mas seus ensinamentos são encarados como algo ameaçador, então é preso e condenado a morrer na cruz. Já crucificado, é tentado a imaginar como teria sido sua vida se fosse uma pessoa comum.
O certo é que o filme de Mel Gibson suscitou debates. O Presidente da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), D. Geraldo Majella Agnello afirmou que o filme “não é anti-semita nem justifica a revolta de judeus, embora seja terrivelmente cruel e chocante”. O rabino Henry Sobel, presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista, disse que “o filme é nitidamente anti-semita. Minha preocupação é que anti-semitas possam tentar usá-lo para recriar a ficção que justifique o preconceito contra judeus”. - Geza Vermes, professor de Oxford e um dos maiores especialistas na vida do Cristo, é contra o filme afirmando, entre outros argumentos, que ele conta simplesmente as últimas 12 horas da vida de Jesus, quando seria fundamental para o entendimento do personagem a narração da vida inteira.

por Eduardo Cruz

quarta-feira, 17 de abril de 2019

LEIAM ANTES QUE QUEIMEM - III

Livros de Flávio Braga



SADE EM SODOMA
de Flávio Braga


Páginas - 160


Volume 1 da Coleção Placere.

Considerado um livro maldito, Os 120 dias de Sodoma revela uma orgia, com o prazo estipulado pelo título, em que a elite da nobreza, do clero e das forças armadas exercem a libertinagem mais desbragada. Partindo desta narrativa, Flávio Braga dá voz, em Sade em Sodoma, a dois personagens, testemunhas de tudo o que se passou na ocasião: o homem responsável pela segurança do "evento" e uma cafetina contratada para contar suas memórias profissionais. Os relatos de tudo o que se passou num castelo próximo à fronteira da França são impressionantes.






EU, CASANOVA, CONFESSO
de Flávio Braga


Páginas - 192


Volume 2 da Coleção Placere.

Antes de abandonar a riqueza de prazeres, Giacomo Girolamo Casanova, o mais célebre sedutor que se conhece, resolveu confessar-se. Ora, o fato é de enorme valor para Flávio Braga, que nos mostra outro Casanova, tão libertino quanto o primeiro, porém mais realista. Atao padre, ele relata com detalhes picantes seus segredos amorosos. O leitor acompanha as aventuras amorais como um documento de época: o testamento dos libertinos.








ENQUANTO PETRÔNIO MORRE
de Flávio Braga


Páginas - 160


Volume 3 da Coleção Placere.

Vítima de intrigas palacianas, Petrônio suicidou-se. Porém, deixou como legado para a história o romance Satíricon, que serve de base para Flávio Braga recriar o dia em que o autor morre. Retratando uma Roma de embates entre gladiadores e escravos e libertinagem em casas de banho, ENQUANTO PETRÔNIO MORRE conduz o leitor aos diversos níveis da sociedade na Antiguidade, quando o valor da vida e dos prazeres estava muito ligado ao poder total das elites.







LANÇADO PELA








por Raul Galalite

terça-feira, 16 de abril de 2019

Leiam antes que queimem - II

DEVASSOS NO PARAÍSO -

A HOMOSSEXUALIDADE NO BRASIL, DA COLÔNIA À ATUALIDADE

de João Silvério Trevisan

Páginas - 588
Editora Record
Dentro da coleção Contraluz, dedicada à sexualidade, a Editora Record lpublicou a nova versão de uma obra fundamental para o estudo da homossexualidade no Brasil. Publicado originalmente em 1986 (a pedido da editora londrina Gay Men's Press) e esgotado há quase uma década, DEVASSOS NO PARAÍSO dobrou de tamanho, para abranger as grandes mudanças ocorridas no Brasil nesse período, fruto, principalmente da disseminação da Aids, ainda incipiente quando o estudo original foi escrito
João Silvério Trevisan investiga a atuação no Brasil, a partir de 1591, do Santo Ofício, preocupada em punir os sodomitas, aborda a formação dos conceitos de pecado e desvio de conduta em relação à homossexualidade e, partindo disso, analisa os esforços de políticos, autoridades policiais, juizes, higienistas e psiquiatras para entender e tentar conter a pederastia nos séculos XIX e XX. E chega até o final deste século, discutindo direitos civis, inserção social de minorias, Aids e intolerância. Trevisan, porém, não se limita a um estudo histórico documental. Ele se vale de instrumentos da antropologia e da psicanálise, disseca a religião, analisa o homoerotismo nas artes e na mídia e revela o cotidiano homossexual, através de diversos depoimentos.
João Silvério Trevisan, paulista de Ribeirão Bonito, 56 anos, é escritor, diretor e roteirista de cinema, tradutor e jornalista. Entre outras obras, escreveu Seis balas em um buraco só (ensaios), Ana em Veneza (romance) Troços e destroços (contos), publicados pela Editora Record. Para teatro escreveu a peça Heliogábalo & Eu. No cinema, Trevisan realizou e dirigiu o curta-metragem Contestação (1969) e o longa Orgia ou o homem que deu cria, além de vários roteiros para outros diretores

"João Silvério Trevisan mantém em Devassos no paraíso, por trás da organização meticulosa, aquele lastro de paixão e ira mais característico da ficção do que da seca teoria. Inquietante, às vezes doloroso e sempre provocativo, Devassos no Paraíso (...) é um livro histórico." - Caio Fernando Abreu, Istoé

"Dois grandes méritos tornam Devassos no paraíso, de João Silvério Trevisan, uma obra pioneira e fundamental: por um lado, organiza os materiais que recriam uma história (perdida) da homossexualidade no Brasil; por outro procede a uma espécie de "micropolítica vivencial" que reconhece (...) as alternativas de uma tensão - ou de um embate - entre o desejo que anima os encontros intermasculinos e a lei (também masculina) que os sufoca ou os vela." - Néstor Perlongher, Folha de S. Paulo

"Uma história da homossexualidade no Brasil e um estudo das posturas sociais através das décadas, Devassos no paraíso é, ao mesmo tempo, sério, informativo e divertido." - Peter Burton, Gay Times


O AUTOR
João Silvério Trevisan (Ribeirão Bonito, 23 de junho de 1944) é um escritor, jornalista, dramaturgo, tradutor, cineasta e ativista GLBT brasileiro.

Fundador do Grupo SOMOS na defesa dos direitos dos homossexuais na década de 1970. Até setembro de 2005 atuava como diretor da oficina literária do SESC. Assina uma coluna mensal na revista G Magazine.

Obras

Cinema, como autor

* Contestação (curta-metragem, 1969)
* Orgia ou o homem que deu cria (longa-metragem, 1971)

Cinema, participação técnica

* Assistente de direção no média-metragem Liberdade de Imprensa (1967)
* Responsável pela trilha sonora dos longas-metragens Gamal, o delírio do sexo (1969), Paulicéia Fantástica (1969/70) e do média-metragem Eterna Esperança (1970)

Jornalismo

* O Lampião da Esquina

Literatura

* Testamento de Jônatas Deixado a David (1976)
* As Incríveis Aventuras de El Cóndor' (1980)
* Em Nome do Desejo (1983)
* Vagas Notícias de Melinha Marchiotti (1984)
* Devassos no Paraíso (1986)
* O Livro do Avesso (1992)
* Ana em Veneza (1994)
* Troços & Destroços (1997)
* Seis Balas num Buraco Só: A Crise do Masculino (1998)
* Pedaço de Mim (2002)
* Em breve: livro sobre o mundo gay de São Paulo

Roteiro (adaptação)

* Doramundo, obra de Geraldo Ferraz e direção de João Batista de Andrade (1º tratamento, 1977) - aclamado com o prêmio de melhor filme, cenografia e diretor no Festival de Gramado de 1978
* A mulher que inventou o amor, de Jean Garrett (1981)

Teatro

* Heliogábalo & Eu
* Em Nome do Desejo
* Troços & Destroços
* Hoje é dia do Amor


por Raul Galalite

sábado, 13 de abril de 2019

PARA AMANTES DA FOTOGRAFIA E ROCK

MAPPLETHORPE: UMA BIOGRAFIA





MAPPLETHORPE: UMA BIOGRAFIA de Patricia Morrisroe

Coleção CONTRALUZ
Páginas - 434

A Editora Record tem em sua coleção Contraluz a biografia do polêmico fotógrafo Robert Mapplethorpe.
Robert Mapplethorpe, com certeza, foi um dos mais famosos e controvertidos fotógrafos do universo da arte contemporânea. O livro revela através de entrevistas com Mapplethorpe, uma vida ousada como a sua arte. Patricia Morrisroe, a autora, caiu nessa empreitada de paraquedas. A bela jornalista do The New York Times, nada sabia sobre o seu entrevistado quando o viu pela primeira vez. Robert Mapplethorpe (1946-1989), naquela época ainda não era o retratista preferido de ricos e famosos e nem tinha trabalhos avaliados em US$ 100 mil. Seu primeiro e um tanto traumático e aliciante encontro se deu no estúdio nova-iorquino do fotógrafo, em 1983, época em que ele começava a ser conhecido como um cult documentarista do "submundo gay." Patricia foi escolhida pelo próprio para escrever a sua biografia e o resultado é Mapplethorpe, livro assinado por ela, lançado em 1997.

Mapplethorpe ficou conhecido mundialmente por ser um artista de extremos. Ele documentou tanto o reduto sadomasoquista de Nova York da década de 70 como fez retratos de amantes, homens negros pelos quais nutria obsessão, celebridades e elaborou extenso ensaio sobre flores.











Seu foco sempre eram as formas perfeitas, corpos musculosos e as luzes delicadas.

Aqui ele aparece com Patti Smith, sua primeira musa. Esta foto foi feita no Chelsea Hotel, em Nova York, famoso reduto de artistas da década de 70.
No Brasil foi lançado pela Editora Record
















por r.galalite